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Sístole... Diástole

Dos dois ultimos dias não tenho registo escrito por isso fica aqui a memória do que foram os últimos momentos das minhas férias. Foram péssimos. Mesmo maus. No dia 12 (Sábado) de manhã às 9:00 recebi uma chamada do meu chefe – em pânico – porque precisava da minha ajuda para uma merda qualquer. Julgava ele que eu já estava em Madrid, mas tive de lhe dizer que não, que ainda estava em BA e que não podia fazer nada (embora tivesse levado o meu portátil). Acabou por me dizer que o projecto estava a correr mal, que tinham acontecido umas coisas durante a minha ausência e que as coisas estavam a descambar (implicitamente dizendo “POR TUA CULPA”). Ao que eu simplesmente coloquei o meu lugar à disposição porque já não estava para aturar mais estas merdas. Ainda não me despedi oficialmente apenas porque o mercado de trabalho em Londres está uma merda, mas a primeira oportunidade que aparecer agarro e vou-me embora. E fiz questão de lho dizer.

Resumindo, as minhas últimas horas em BA foram uma merda, onde não aproveitei nada, não fiz nada, não vi nada. Só conseguia pensar no cabrão do meu chefe que adora usar o sentimento de culpa para chegar aos objectivos obcecados e retorcidos dele. Apenas consegui acabar de fazer as malas e meter-me no aeroporto, contando os minutos para entrar no avião e poder dormir, dormir, dormir. Chegado a Madrid, tive a sensação que um abraço nunca me tinha sabido tão bem. Rever os amigos, com barba de 1 semana e ar deslavado, cansado e deprimido. Não ter cara de quem se divertiu imenso durante uma semana inteira. Poucas horas depois estava em Londres, rodeado das pessoas e sítios que não me diziam nada há pouco mais de um ano atrás, mas que me dizem cada vez mais.

A única coisa que nunca, mas mesmo nunca, irei perdoar ao meu chefe é o facto de me ter fodido os dois últimos dias das férias mais importantes da minha vida, de ter anulado em 10 minutos todo o descanso psicológico de 1 semana, de ter obliterado as imagens de natureza, paz e sossego que tinha na cabeça. Existem muito mais coisas que não perdoarei, mas esta vai ser a cabeça de lista, aquela que atirarei em primeiro, apontando à testa.

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