Estamos a chegar ao ponto crítico, de estupidez mental extrema em que nada do que se escreve ou pensa tem pés ou cabeça. Aquele ponto em que mais vale estar calado, sabem? Ou que mais vale ir ver televisão e assistir a programas vazios de conteúdo porque, caso contrário, se corre o risco de provocar um pequeno incêndio devido a actividade cerebral duvidosa e radioactiva? Pois sim... Errm, espera. Talvez não.
Por que razão algumas pessoas insistem em serem estúpidas que nem umas portas (imaginem-me a dizer a palavra “estúpidas” com um enorme ênfase no “ú” e com cara de nojo)? É que já não há mais paciência para tanta estupidez junta. Apetece-me fazer um flambé de gente. Assim, bem grande e colorido, de preferência com whiskey 12 anos. Aqui o nosso amigo é que a sabia toda quando escreveu esta sábia referencia ao nosso excelso ex-primeiro ministro.
Esta animosidade, esta luta contra o Universo, este constante refilar valerá mesmo a pena? Será que faz de mim um ser humano melhor estar constantemente a olhar para os outros e a identificar as suas falhas, julgando estar completamente a par das minhas próprias falhas? Bom... Quer dizer... Nunca niguém está cem por cento a par das suas limitações, caramba. Mas enfim, considere-se então para este efeito um qualquer Epsilon pertencente ao conjunto dos Reais tal que Epsilon -> 0, ou seja um infintamente pequeno. A distância entre as minhas verdadeiras limitações e a minha percepção das mesmas tende a ser um Epsilon. Tem dias, mas em geral é assim. Está correcto? Não. Pois não, e não é preciso ser-se um doutorado em física para perceber isso.
O mundo está podre. Mesmo podre. É lamentável, mas é a verdade. Eu, infelizmente, tenho que gramar de perto este mundinho em que nada de jeito se produz mas onde tudo se discute por discutir, onde os temas de conversa variam entre o reles e o rastejante, onde há medo de assumir posições e onde o politicamente correcto impera. Ódio, inveja, maldade, engano, estupidez, intriga, falsidade. Foda-se.
Uma pessoa muito próxima disse-me que devia ser mais assertivo. Tem toda a razão, devia mesmo, sobretudo porque foi uma pessoa assertiva a dizer-mo. E por isso tomei a decisão de fazer um pequeno downsizing de personalidade: acabar com tudo o que é acessório, com tudo o que não tem nada a ver comigo, deixando apenas o caroço e potenciar essas caraterísticas como um novo self. Projecto ambicioso? Bem, nunca disse que era um gajo esperto. Não perceberam nada do que praqui escrevi? Também não era esse o objectivo. Aliás, cada vez será menos esse, o objectivo.
7 inspirações:
GmbH e Niagara: junte-se a fome com a vontade de comer e é nisto que dá.
Muy bien :p
Isto dava um post. E dos grandes, mas vou tentar ser sintético.
Um flambé de gente, sendo gente estúpida, seria feito com (no máximo) fuel óleo, nunca com whiskey caríssimo de doze anos. O whiskey seria para beber calmamente enquanto a malta aquecia as mãos no quentinho do flambé.
A animosidade e o refilar valem sempre a pena. Há que abanar as coisas um bocadinho, há que não ser permissivo nem com a estúpidez nem com a incompetência alheias. Dá-nos o direito de ficar calados (o chamado banho de humildade) quando somos estúpidos ou incompetentes.
O conceito de vizinhança aplicado às limitações e a percepção das mesmas tende mais a esbarrar num ponto de não aderência. Teríamos que desencarnar para ter a noção daquilo que somos para os outros. Mas sendo o Homem a medida de todas as coisas, é aceitavel que nos tornêmos no nosso próprio padrão. Se realisticamente aplicada a teoria, a prática permite-nos ter algum poder de influência sobre quem nos rodeia. Logo, abanar as coisas.
O mundo está podre. Claro que está podre. É sinal que não o abanámos o suficiente, que fomos demasiado permissivos com aquilo que não nos agrada. É o espírito da bovinização acéfala no seu melhor. Somos muito bons nisso. Nós, pessoas. A seguir o trilho que outros pisaram.
Em relação ao caroço... Parece-me um tudo-nada redutor. Só porque sim, porque é na infinidade possível de combinações das nossas diferentes características que conseguimos ser únicos - até no tempo, se tivermos a capacidade de evoluir, claro). Deixando só o caroço arriscamos a ser nada além de um arquétipo de qualquer coisa muito menos rica do que o nosso "eu".
(Eu disse que isto dava um post)...
Grande abraço aqui da Tuga.
Told ya...
Caríssimo Niagara, permita-me comentar o seu comentário :)... Antes de mais, e embora seja caro, o Whiskey é bem melhor que fuel óleo – sempre dá um cheirinho mais aconchegante à cena. Não há que ter medo de pagar pela qualidade. Para rematar no aconchego recomendo jeropiga para beberricar enquanto se assiste ao "ordeal", só para dar aquele feeling de magusto misturado com “Os Cento e Vinte dias de Sodoma”.
Concordo com tudo o que escreveste, excepto o último ponto (até porque vejo que o ilustre cavalheiro é versado em vizinhanças e pontos de aderência que, embora interessantes, não me estão a puxar praí hoje). O caroço é o que interessa, o suco, a mioleirazinha gostosa. Aquilo que está na minha essência, e que está escondido atrás de uma grossa camada de merda. Em vez de chamar a este processo “downsizing” (que sempre teve aquela conotação de despedimento, sofrimento, mauzões dos capitalistas que despedem a torto e a direito, malandros) apelidemo-lo então de “exfoliação” (que ilustra bem melhor a minha ideia: retirar a camada de merda e deixar transparecer o verdadeiro self, genuíno e memorável, sem defeitos). Não pretendo com isto tornar-me numa pessoa perfeita (até porque, disso, não há), mas pretendo aproximar-me da minha própria visão de perfeição (lá está). Não nego que essa visão possa ser ela própria uma merda, mas é a minha e é com isso que tenho de trabalhar...
Bem sei que o ser humano é feito de virtudes e defeitos, mas please não me digas que um dos nossos defeitos é justamente tentar acabar com os outros defeitos... Porque nisso não acredito. Nem com jeropiga :).
Ora valha-me a Santa. Para isso mistura-se gelatina de morango em pó com gasolina (dá uma coisa vagamente parecida com napalm, pelo cheirinho vale bem a pena) e escusa de se gastar uma pipa de massa com whiskey.
EU... para o bem e para o mal andei nas científicas, matemáticas, físicas e afins, a parte dos pontos de aderência veio-me de uma aula de Diferênciação e Integração em que o quador estava atestado de risquinhos a giz de cera... a prof (a Drª Acilina, um doce de mulher e com uma classe fora de série) desenha a recta real, que fica cheia de "buraquinhos". Calhou que o resultado do primeiro exercício da tarde calhava num desses "buraquinhos"... Levanta-se uma alminha (cujo nome não vou referir) e diz "Engenheira, está errado, não é um ponto de aderência"... Pronto.
Em relação à exfoliação, a extripar o excedente, a remover as "gordurinhas", seja o que fôr... Os princípios são sempre bons. E os fins?
Se calhar... dado que até voltar alguém do "outro lado" que confirme que há mais do que uma vida... Vivíamos esta. Não?
:D
Grande abraço
Lá está: voltamos sempre ao mesmo "o que raio ando eu aqui a fazer". A maior parte das vezes a minha resposta não existe (ou é desajeitada, infantil), mas acabo sempre por fazer isso mesmo: viver esta vida.... Abraço, Herr Ponto de Aderência (cruzes!).
PS. eu tenho uma boa mas é numa de Análise 3, com o chamado Ponto de Sela... Aquele que é simultaneamente um máximo e um mínimo de um sólido, em 3D. Ui... Cavalguemos nessa Análise, cavalheiros!
Hum.
Eu diria que a resposta a essa pergunta está na alma de quem está conosco. "O que é que eu ando aqui a fazer?"...
É fácil. Basta olhar para os(as) amigos(as), as pessoas com quem convivemos, de quem gostamos e que gostam de nós. Porque essa é a parte importante da vida. O resto...
Em relação a matemáticas e afins... Nada é exacto. A não ser num universo restrito.
Um prof uma vez definiu a 4ª dimensão. Começou em duas dimensões. Qual é a projecção mínima de um objecto em duas dimensões? Uma dimensão. Qual q projecção mínima de um objecto em três dimensões? Duas dimensões. Ok, então a projecção mínima de algo a quatro dimensões será a dimensão imediatamente abaixo.
(Isto deu-me mais o que pensar do que toda a análise matemática que não quis aprender até hoje...)
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